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domingo, 13 de março de 2016

O SUICIDA DO TREM

     




              
        O suicida do trem



          
    Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto.

Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem. Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais.

Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.

Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.

Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse. Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros.

Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter). Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.

Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou: Por que você está chorando? Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.

O Espírito retrucou: Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará? Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar! Não faça isto, pediu. Se você chorar eu também chorarei muito.

Mas por que você vai chorar? perguntei-lhe: Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor. Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.

Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente.

Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou.

Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.

Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me: “É uma alma que ora pelos desgraçados. Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome. (Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)

Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me:

"Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade. Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."

Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.

Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades.

Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.

Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou. Igualmente emocionado, falei-lhe: Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.

São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você.

Livro: O Semeador de Estrelas, de Suely Caldas Schubert









                                                                                                             PAZ, MUITA PAZ!
 

sábado, 25 de julho de 2015

LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL - CAP VIII

por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires


126. Dissemos que os Espíritos se apresentam vestidos de túnicas, envoltos em panos flutuantes ou com as roupas comuns. Os panos flutuantes parecem ser de uso geral no mundo os Espíritos. Mas perguntam-se onde eles encontram roupas inteiramente semelhantes às que usavam em vida, com todos os acessórios do traje. É evidente que não levaram esses objetos com eles, pois que ainda se encontram conosco. De onde provém então o que eles usam no outro mundo?
Esta questão era bastante intrigante, mas para muitas pessoas não passava de simples curiosidade. Não obstante, implicava um problema de grande importância, pois sua solução nos encaminhou à descoberta de uma lei geral que igualmente se aplica ao nosso mundo corpóreo. Numerosos fatos vieram complicar o assunto e demonstrar a insuficiência das teorias aventadas.
Até certo ponto seria admissível a existência do traje porque se pode considerá-lo como de alguma maneira fazendo parte do indivíduo. Já não se dá o mesmo, porém, com os objetos acessórios. Como a tabaqueira do visitante da senhora doente de que tratamos no nº 117. Notemos que naquele caso não se tratava de um morto, mas de um vivo, e que o visitante ao voltar em pessoa tinha uma tabaqueira inteiramente igual. Onde, pois, o seu Espírito encontrara a que usava ao pé do leito da senhora doente? Poderíamos citar numerosos casos em que Espíritos de mortos ou de vivos aparecem com diversos objetos, como bengalas, armas, cachimbos, lanternas, livros,etc.
Tivemos então a idéia de que os corpos inertes poderiam possuir correspondência etéreos no mundo invisível, que a matéria condensada que forma os objetos poderia ter uma parte quintessenciada inacessível aos nossos sentidos.(1) Essa doutrina não era destituída de verossimilhança, mas não podia explicar todos os fatos. Havia um, sobretudo, que parecia desafiar todas as interpretações. Até então se tratava apenas de imagens ou aparências, e já vimos que o perispírito pode adquirir as propriedades da matéria e tornar-se tangível. Mas essa tangibilidade é passageira e os corpos sólidos se desvanecem como sombras.
Não há dúvida de que se trata de fenômeno extraordinário, mas o que o ultrapassa é a produção de matéria sólida persistente, provada por numerosos fatos autênticos, notadamente os de escrita direta de que tratemos com minúcias em capítulo especial. Entretanto, como esses fenômenos se ligam intimamente ao assunto em causa, representando uma das suas manifestações mais positivas, anteciparemos a ordem em que deviam aparecer.
127. A escrita direta ou pneumatografia é a que se produz espontaneamente, sem o concurso das mãos do médium nem do lápis.(2) Basta tomar folha de papel em branco, o que se pode fazer com todas as precauções necessárias para se prevenir qualquer fraude, dobrá-la e depositá-la em algum lugar, numa gaveta ou sobre um móvel. Se houver condições, dentro de algum tempo aparecerão traçados no papel letras os sinais diversos, palavras, frases e até mesmo comunicações. Na maioria das vezes com uma substância escura, semelhante à grafita, e de outras com lápis vermelho, tinta comum e mesmo tinta de impressão.
Eis o fato em toda a sua simplicidade e cuja reprodução, embora pouco comum, não é tão rara, pois há pessoas que a conseguem com muita facilidade. Pondo-se um lápis junto com o papel, poder-se-ia crer que o Espírito o utilizou, mas se o papel estiver só é evidente que a escrita foi produzida por matéria nele depositada. De onde o Espírito tomou essa matéria? Essa a questão a cuja solução fomos levados pela tabaqueira a que há pouco no referimos.
128. Foi o Espírito São Luís que nos deu a solução com as seguintes respostas:
1. Citamos um caso de aparição do Espírito de pessoa viva. Esse Espírito tinha uma tabaqueira e tomava pitadas. Experimentava ele a sensação que experimentamos no caso?
— Não.
2. A tabaqueira tinha a mesma forma da que ele usava habitualmente e que estava em sua casa. O que era essa tabaqueira nas mãos desse homem?
— Uma aparência. Era para ser notada, como foi, e para que a aparição não fosse tomada por alucinação produzida pelo estado de saúde da vidente. O Espírito queria que a senhora acreditasse na realidade da sua presença e tomou todas as aparências da realidade.
3. Disseste que era uma aparência, mas uma aparência nada tem de real, é como uma ilusão de óptica. Queremos saber se essa tabaqueira era uma imagem irreal ou se havia nela algo de material.
— Certamente. É com a ajuda desse princípio material que o Espírito aparenta vestir-se com roupas semelhantes às que usava quando vivo.
Nota de Kardec: É evidente que devemos entender a palavra aparência no seu sentido de aspecto, de imitação. A tabaqueira real não estava com o Espírito. A que ele segurava era apenas a sua representação. Era, pois, uma aparência, em relação ao original,embora constituída por um princípio material.
A experiência nos ensina que não devemos tomar sempre ao pé da letra as expressões usadas pelos Espíritos. Interpretando-as segundo as nossas idéias, expondo-nos a grandes decepções. É por isso que precisamos aprofundar o sentido de suas palavras quando apresenta a menor ambigüidade. Essa recomendação os próprios Espíritos nos fazem constantemente. Sem a explicação que provocamos, a palavra aparência, sempre repetida nos casos semelhantes, poderia ser falsamente interpretada.(3)
4. Seria um desdobramento da matéria inerte? Haveria no mundo invisível uma matéria essencial que revestiria as formas dos objetos que vemos? Numa palavra, esses objetos teriam o seu duplo etéreo no mundo invisível, como os homens são ali representados pelos Espíritos?
— Não é assim que isso se dá.O Espírito dispõe sobre os elementos materiais dispersos por todo o espaço da vossa atmosfera, de um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode concentrar esses elementos pela sua vontade e dar-lhe a forma aparente que convenha às suas intenções.
Nota de Kardec: Essa pergunta, como se vê, era a tradução do nosso pensamento, da idéia que havíamos formado sobre a natureza desses objetos. Se as respostas fossem, como pretendem alguns, o reflexo do pensamento do interpelante, teríamos obtido a confirmação da nossa teoria, em vez da teoria contrária.
5. Coloco de novo a questão de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco: as roupas dos espíritos são alguma coisa?
— Parece-me que a resposta precedente resolve a questão. Não sabes que o próprio perispírito é alguma coisa?
6. Resulta desta explicação que os Espíritos submetem a matéria etérea às transformações que desejam. Assim, por exemplo, no caso da tabaqueira o Espírito não a encontrou feita, mas ele mesmo a produziu, quando dela necessitou, por um ato da sua vontade, e da mesma maneira a desfez. É isso mesmo que se dá com todos os outros objetos, como as roupas, as jóias, etc…?
— Mas é evidente.
7. Essa tabaqueira foi vista pela senhora como se fosse real. O Espírito poderia torná-la tangível para ela?
— Poderia.
8. Se fosse o caso, a senhora poderia pegá-la, acreditando ter nas mãos uma tabaqueira real?
— Sim.
9. Se ela abrisse, provavelmente encontraria tabaco, e se o tomasse espirraria?
— Sim.
10. Então o Espírito pode dar não somente a forma do objeto, mas também as suas propriedades especiais?
— Se o quiser. Foi em virtude desse princípio que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Terás provas da ação poderosa que o Espírito exerce sobre a matéria e que estás longe de supor, como já disse.
11. Suponhamos que ele quisesse fazer uma substância venenosa e que uma pessoa a tomasse. Ficaria envenenada?
— O Espírito poderia fazê-la, mas não a faria porque isso não lhe é permitido.
12. Poderia fazer uma substância salutar, apropriada à cura de uma doença, e isso já aconteceu?
— Sim, muitas vezes.
13. Poderia então, da mesma maneira, fazer uma substância alimentar? Suponhamos que fizesse uma fruta ou uma iguaria qualquer. Alguém poderia comê-la e sentir-se saciado?
— Sim, sim. Mas não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Basta um raio de sol para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros as partículas materiais que enchem o espaço no meio do qual vives. Não sabes que o ar contém vapor dágua? Condensa-os e voltarão ao estado normal. Priva-os de calor e verás que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se transportam num corpo sólido e bem sólido. Assim muitas outras substâncias de que os químicos ainda tirarão maravilhas mais espontâneas. Mas acontece que o Espírito possui instrumentos mais perfeitos que os vossos: à vontade e a permissão de Deus.
Nota de Kardec: A questão da saciedade é neste caso muito importante. Como uma substância que só tem existência e propriedades temporárias e de certa maneira convencionais pode produzir a saciedade? Essa substância, em seu contato com o estômago, produz a sensação da saciedade, mas não a saciedade propriamente dita que resulta da plenitude. Se essa substância pode agir na economia orgânica e modificar um estado mórbido, pode também agir sobre o estômago e provocar uma sensação de saciedade. Mas pedimos aos senhores farmacêuticos e donos de restaurantes para não se enciumarem nem pensarem que os Espíritos lhes venham fazer concorrência. Esses casos são raros excepcionais e não dependem jamais da vontade de alguém, pois do contrário todos se alimentariam e curariam de maneira vantajosa.
14. Os objetos que à vontade do Espírito tornaram tangíveis poderiam permanecer nesse estado e ser usados?
— Isso poderia acontecer, mas isso não se faz porque é contrário às leis.
15. Todos os Espíritos têm no mesmo grau o poder de produzir, objetos tangíveis?
— O certo é que o Espírito, quanto mais elevado, mais facilmente o consegue, mas isso também depende das circunstâncias: os Espíritos inferiores podem ter esse poder.
16. O Espírito tem sempre consciência da maneira pela qual produz as suas roupas ou dos objetos que tornam aparentes?
— Não. Muitas vezes ajuda a formá-los por uma ação instintiva, que ele mesmo não compreende, se não estiver suficientemente esclarecido para isso.
17. Se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para essas produções, dando a essas coisas uma realidade temporária, com suas propriedades, pode também tirar o necessário para escrever, o que nos daria a chave do fenômeno de escrita direta?
— Afinal, chegaste onde querias!
Nota de Kardec: Com efeito, era a isso que desejamos chegar com todas as nossas perguntas preliminares. A resposta prova que o Espírito terá o nosso pensamento.
18. Se a matéria de que o Espírito se serve não tem persistência, como os traços da escrita direta não desaparecem?
— Não tires conclusões das palavras. Para começar, eu não disse: jamais. Tratava-se de objeto material volumoso. Nesse caso, são sinais escritos que é útil conservar e se conservam. O que eu quis dizer é que os objetos assim compostos pelo Espírito não poderiam tornar-se de uso, porque na realidade não possuem a mesma densidade material dos vossos corpos sólidos.
129. A teoria acima pode ser resumida. O Espírito age sobre a matéria; tira da matéria cósmica universal os elementos necessários para formar, como quiser, objeto com a aparência dos diversos corpos da Terra. Pode também operar, pela vontade, sobre a matéria elementar, uma transformação íntima que lhe dê certas propriedades. Essa faculdade é inerente à natureza do Espírito, que a exerce muitas vezes de maneira instintiva e, portanto, sem o perceber, quando se faz necessário. Os objetos formados pelo Espírito são de existência passageira, que depende da sua vontade ou da necessidade: ele pode fazê-los e desfazê-los a seu bel-prazer. Esses objetos podem, em certos casos, parecer para os vivos perfeitamente reais, tornando-se momentaneamente visíveis e mesmo tangíveis. Trata-se de formação e não de criação, pois o Espírito não pode tirar nada do nada.
130. A existência de uma matéria elementar única é hoje quase geralmente admitida pela ciência e os Espíritos a confirmam, como acabamos de ver. Essa matéria dá origem a todos os corpos da Natureza. As suas transformações determinam as diversas propriedades dos corpos. É assim que uma substância salutar pode tornar-se venenosa por uma simples modificação. A Química nos oferece numerosos exemplos nesse sentido.
Todos sabem que duas substâncias inofensivas, combinadas em certas proporções, podem resultar numa deletéria. Uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio,ambas inofensivas, formam a água. Basta acrescentar um átomo de oxigênio e teremos um líquido corrosivo. Mesmo sem alterar as proporções, muitas vezes é suficiente uma simples modificação na forma de agregação molecular para mudar as propriedades. É assim que um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa. Desde que o Espírito, através apenas da sua vontade, pode agir tão decisivamente sobre a matéria elementar, compreende-se que possa formar substâncias e até mesmo desnaturar as suas propriedades, usando a própria vontade como reativo.(4)
131. Esta teoria nos dá a solução de um problema do magnetismo, bem conhecido mas até hoje, inexplicado, que é o fato da modificação das propriedades da água pela vontade. O Espírito agente é o do magnetizador, na maioria das vezes assistido por um Espírito desencarnado. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como já dissemos,é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica ou elemento universal. E se ele pode produzir uma modificação nas propriedades da água, pode igualmente fazê-lo no tocante aos fluidos orgânicos, do que resulta o efeito curativo da ação magnética convenientemente dirigida.
Sabe-se o papel capital da vontade em todos os fenômenos magnéticos. Mas como explicar a ação material de um agente tão sutil? A vontade não é uma entidade, uma substância e nem mesmo uma propriedade da matéria mais eterizada: é do atributo essencial do Espírito, ou seja, do ser pensante. Com a ajuda dessa alavanca ele age sobre a matéria elementar e em seguida reage sobre os seus componentes, com o que as propriedades íntimas podem ser transformadas.
A vontade é atributo do Espírito encarnado ou errante. Daí o poder do magnetizador,que sabemos estar na razão da força da vontade. O Espírito encarnado pode agir sobre a matéria elementar e portanto modificar as propriedades das coisas dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de curar pelo contacto e a imposição das mãos,que algumas pessoas possuem num elevado grau. (Ver no capítulo sobre os Médiuns o tópico referente a médiuns curadores. Ver ainda na Revista Espírita, nº de julho de 1859, os artigos. O Zuavo de Magenta e Um Oficial do Exército da Itália).(5)


(1) Essa teoria do duplo etéreo das coisas é verdadeira a tanto para o Espiritismo quanto para outras correntes espiritualistas, mas não se aplica ao caso das aparições. A explicação dos Espíritos revela mais uma vez a sua independência em relação às idéias admitidas, mesmo tradicionalmente, em nossos sistemas. (N. do T.)
(2) Posteriormente admitiu-se a escrita direta por meio de lápis e outros instrumentos, mas sem o uso das mãos. Ver as experiências de Zolner com o médium Slade, em Provas Científicas da Sobrevivência. (N. do T.)
(3) Esta observação de Kardec é de maior importância para todos os que de dedicam ao Espiritismo prático. Os Espíritos estão num mundo diferente do nosso e mesmo quando usam a nossa linguagem esta nem sempre corresponde à nossa maneira de ver. Precisamos estar atentos ao que dizem e provocam todos os esclarecimentos que nos parecem necessários. O problema da linguagem dos Espíritos, já levantado por Kardec, requer estudos aprofundados que ainda estão por ser feitos. (N. do T.)
(4) Todas estas questões estão sendo hoje sancionadas pelo avanço das Ciências em seus vários ramos. O desenvolvimento da Física nuclear ampliou as possibilidades acima referidas por Kardec. Hoje se sabe que a matéria elementar é uma realidade e sua natureza não é atômica, mas subatômica. O fluido universal dos Espíritos tão ridicularizado até a pouco, já é admitido pela Ciência com outros nomes: o oceano de elétrons livres da teoria de Dirac, os campos de força, o poder desconhecido que está por trás da energia, segundo Arthur Compton e que parece ser pensamento, etc. Quando à ação da vontade sobre a matéria a Medicina Psicossomática e a Parapsicologia se incumbiram de prová-la, mesmo nos encarnados. (N. do T.)
(5)Os estudos de Hipnotismo científico definiram a hipnose como simples sugestão, relegando ao passado o problema da ação fluídica, considerada como superstição. Mas o magnetismo é elemento natural, cujas manifestações e aplicações não se limitam ao tipo de hipnose clínica. Nesta, ele se manifesta em função autógena, mas a maioria de suas manifestações é exógena. A modificação das propriedades da água pode ocorrer como simples sugestão, limitada ao paciente, mas há também fenômenos materiais de alteração dessas propriedades, perspectivas por todos. No primeiro caso não houve modificação alguma na água,mas apenas na percepção do paciente. No segundo,as modificações são reais. Os casos dessa natureza ocorrem facilmente com médiuns de efeitos físicos. Atualmente os parapsicólogos procuram explicar esses fenômenos como ação de mente a matéria, com a denominação técnica de psicocinesia. Também neste campo a tese espírita permanece e a Ciência vai aos poucos se reaproximando dela. René Sudre antiespírita irredutível, ainda recentemente, no seu “Tratado de Psicologia”,anota o seguinte: A descoberta dos elétrons materiais leva-nos mais ou menos a teoria newtoniana da emissão. Eis,pois, que o fluido reaparece no próprio coração da Física contemporânea. (N. do T.)


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

QUE DEUS VOCÊ QUER?






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 Que Deus você quer?

Por Paulo Roberto Gaefke - 30-12-2015
 
Queremos Deus, mas não da maneira como Deus nos quer!
Queremos Deus a nossa maneira, realizando sonhos humanos.
Removendo barreiras que nós mesmos criamos.
Curando feridas de nossas batalhas mal resolvidas.
Queremos um Deus milagroso, e por vezes milagreiro.

Queremos o Deus do Amor, o que tem palavras doces,
que nos guie em nossos passos indecisos.
Mas não queremos Deus que repreende, que ensina.
Como o pai que tem que deixar de castigo o filho teimoso.
Ah! e como somos teimosos!!!
Quantas vezes te disseram não vá por ali,
e você foi por onde?
Exatamente por ali.

E quantas vezes te pediram para mudar algo em você?
E quantas vezes você disse que que não vai mudar?
"Quem quiser gostar de mim vai ter que gostar assim!"

Queremos Deus sim, mas Deus que conserta sem fazer remendos.
Queremos Deus que faça omeletes sem quebrar ovos.
Sem nos dobrarmos, sem aprendermos com a dor.
Sem remorsos por ter feito coisas erradas.

Queremos Deus Pai amoroso, 
sem lembrar que pais amorosos dão vacinas dolorosas em seus filhos.
Sem lembrar que pais amorosos precisam repreender para ensinar.

Que Deus você quer?
Use seu tempo livre para meditar 
e se quiser aceitar Deus como Verdade e Vida,
deixe-se dobrar, se quebrar para recomeçar.
Para seguir com Deus, não sendo carregado por Ele.
Este é o sentido da Vida: aprender a andar, caminhar,
aprender a respeitar, passar pela dor,
para finalmente descobrir que Deus é Amor.


____________________
Paulo Roberto Gaefke
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

As condenações bíblicas e o Espiritismo

As condenações bíblicas e o Espiritismo
Esse Capelli

 

Os nossos irmãos que se apegam ao texto bíblico, como a única norma para a vida e a morte sempre trazem engatilhada uma sentença condenatória para o Espírita, com a agravante de ser inapelável e eterna.
Citam, inclusive, passagens da Bíblia que, segundo eles, condenam o Espiritismo.
Em duas diferentes ocasiões tive a oportunidade de refutar estas investidas contra a Doutrina Espírita.
CASO 1
Confesso que sou um ignorante, sem as luzes das letras, mas não gosto de ser levado pelo cabresto, para aceitar isto ou aquilo.
Certo dia estive presente a um diálogo travado entre dois religiosos, indiscutivelmente profundos conhecedores da Bíblia, a qual designavam por Palavra de Deus. Eu ouvia e eles falavam. Dissertavam sobre o significado de várias passagens bíblicas, demorando-se sobre o pecado, as penas eternas, a salvação e sobre a criação artesanal do Universo, por um Deus que criara o homem "à Sua imagem e semelhança". Dando por minha insignificante presença, interpelaram-me.
- E você, já aceitou a Palavra de Deus? Já leu a Bíblia?
- Já, eu sou Espírita.
- E não se deu conta da condenação dos necromantes às penas eternas?
- Meus irmãos eu não compreendi certas coisas que li na Bíblia. Em Êxodo, cap. XX, vv. 13, a Tábua dos Mandamentos que Moisés acabava de trazer do Sinai, diz: "Não matarás" e, logo a seguir, no mesmo livro, no cap. XXVII está escrito: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, cada um tomará a espada sobre o lado, passai e tomai a passar pelo arraial, de porta em porta, e mate a cada um a seu irmão, cada um a seu amigo e cada um a seu vizinho". Isso é justo? Manda não matar e logo a seguir manda passar ao fio da espada, irmãos, vizinhos e amigos?
Em l Reis, cap. XXII, vv. 19 a 23, encontramos o Senhor associando-se com espírito mentiroso para enganar o Acabe e, no vv. 23 está escrito que: "Eis que o Senhor pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o Senhor falou o que é mau contra ti."
Também nas Sagradas Palavras, encontrei no cap. II do Evangelista João, a narrativa de um Cristo espancando os que se aglutinavam no pátio do templo, vendendo pombas, enquanto desconhecia os gordos sacerdotes que o dirigiam, mesmo havendo o Mestre exortado à prática infinita do perdão.
Tudo isso e muitas outras coisas contraditórias que encontrei na Bíblia, me fazem preferir o Espiritismo, que nos ensina a confiar num Pai verdadeiramente amoroso, que não condena seus filhos ao fogo do Inferno e a nenhuma pena eterna e num Cristo manso, suave, amigo, que não espanca e não condena, mas que ensina e admoesta seus filhos à prática do bem. Por isso sou Espírita.
- Isso é uma demonstração de desconhecimento da Palavra de Deus, que só é revelada aos que crêem. Creia, meu amigo e ela te será revelada.
- Crer para depois ter a revelação, é fé cega, irracional e imposta, eu prefiro receber a revelação, para então, depois de esclarecido, acreditar. Isso é fé racional, convicta, aceita, sem imposições, como ensina o Espiritismo.
E encerrou-se ali o diálogo.
CASO 2
De outra feita, um grupo de irmãos evangélicos deu-me a honra de sua presença em minha casa. Atendidos, pediram, educadamente para entrar.
- Nós sabemos que o senhor é espírita e gostaríamos de falar-lhe sobre o plano do Senhor para salvá-lo.
- Mas eu não estou perdido!
- Meu amigo, se o senhor não mudar a sua convicção religiosa, aceitando Cristo como seu Salvador, certamente perderá a sua alma.
- Onde você encontrou essa sentença? Questionei ao meu interlocutor.
- Na Bíblia, em Deuteronômio, cap. XVIII, vv. 11 e 12, o Senhor condena e ordena o lançamento fora, dos necromantes e feiticeiros, o que significa lançá-los nas chamas eternas do Inferno.
- Meus irmãos, respondi, se querem, realmente, obedecer ao mandamento bíblico, não basta a sentença de morte para os espíritas, é preciso que vocês passem a matar os necromantes e feiticeiros, corno está em Levítico, cap. XX, vv. 27, ou a cumprir o que ordena o Senhor em Êxodo cap. XXXV, vv. 2, matando os que trabalham no sábado, ou, ainda, lançando os nossos irmãos leprosos para fora das cidades, como é ordenado em Números, cap. V, vv. 1 a 4. Meus irmãos eu creio que Deus, o manancial infinito de amor e sabedoria, não se prestaria a cometer tantas maldades.
Um dos componentes do grupo, mulher inteligente e bem falante, observou que, não sendo eu agraciado com a revelação, não poderia interpretar o verdadeiro significado da Palavra de Deus.
- É verdade, respondi, eu não recebi nenhuma revelação, apenas li a Bíblia e, nela, também, no Novo Testamento eu encontrei em I Coríntios, cap. XlV, vv. 34 e 35, que a mulher deve permanecer calada e em seu lar, não lhe sendo permitido falar em público; entretanto, vejo, até com certo agrado, que a irmã não obedeceu às sentenças bíblicas, preferindo ser livre para poder propagar a sua fé. Por isso, meus irmãos, eu prefiro ser livre para pensar e escolher racionalmente a minha fé, como ensina, sem impor, a Doutrina Espírita.
Os irmãos evangélicos se foram, certamente levando consigo a certeza de que eu não teria salvação.

Revista Espírita Allan Kardec, nº 38.



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O QUE O ABORTO MATA É UMA VIDA HUMANO

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Bernard Nathanson:
Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"

O quê pode levar um poderoso e reconhecido médico abortista a converter-se em um forte defensor da vida e abraçar os ensinamentos de Jesus Cristo?
Pode que tenha sido o peso de sua consciência pela morte de 60 mil nascituros ou talvez as muitas orações de todos aqueles que rogaram incessantemente por sua conversão?
Segundo Bernard Nathanson, o famoso "rei do aborto", sua conversão ao catolicismo resultaria inconcebível sem as orações que muitas pessoas elevaram a Deus pedindo por ele. "Estou totalmente convencido de que as suas preces foram escutadas por Ele", indicou emocionado Nathanson no dia em que o Arcebispo de Nova York, o falecido Cardeal O'Connor, o batizou.
Filho de um prestigioso médico especializado em ginecologia, o Dr. Joey Nathanson, a quem o ambiente cético e liberal da universidade o fe abdicar da sua fé, Nathanson cresceu em um lar sem fé e sem amor, onde imperava muita malícia, conflitos e ódio.
Profissional e pessoalmente Bernard Nathanson seguiu durante uma boa parte de sua vida os passos do seu pai. Estudou medicina na Universidade de McGill (Montreal), e em 1945 começou a namorar Ruth, uma jovem e bela judia com quem realizou planos de matrimônio. Porém a jovem ficou grávida e quando Bernard escreveu para o seu pai consultando-lhe sobre a possibilidade de contrair matrimônio, este lhe enviou cinco notas de 100 dólares junto com a recomendação de que escolhesse entre abortar ou ir aos Estados Unidos para casar-se, pondo em risco sua brilhante carreira como médico que o aguardava.
Bernard priorizou sua carreira e convenceu a Ruth que abortasse. Ele não a acompanhou à intervenção abortiva e Ruth voltou à sua casa sozinha, em um táxi, com uma forte hemorragia, a ponto de perder a vida. Ao recuperar-se -quase milagrosamente- ambos terminaram sua relação. "Este foi o primeiro dos meus 75.000 encontros com o aborto, me serviu de excursão inicial ao satânico mundo do aborto", confessou o Dr. Nathanson.
Após graduar-se, Bernard iniciou sua residência em um hospital judeu.
Depois passou ao Hospital de Mulheres de Nova York onde sofreu pessoalmente a violência do anti-semitismo, e entrou em contato com o mundo do aborto clandestino. Nesta época já havia se casado com uma jovem judia, tão superficial quanto ele, como confessaria, com a qual permeneceu unido cerca de quatro anos e meio. Nestas circunstâncias Nathanson conheceu Larry Lader, um médico a quem só lhe obsessionava a idéia de conseguir que a lei permitisse o aborto livre e barato. Para isso fundou, em 1969, a "Liga de Ação Nacional pelo Direito ao Aborto", uma associação que tentava culpar a Igreja por cada morte ocorrida nos abortos clandestinos.
Mas foi em 1971 quando Nathanson se envolveu diretamente com a prática de abortos. As primeiras clínicas abortistas de Nova York começavam a explorar o negócio da morte programada, e em muitos casos seu pessoal carecia da licença do Estado ou de garantias mínimas de segurança. Como foi o caso da que dirigia o Dr. Harvey. As autoridades estavam a ponto de fechar esta clínica quando alguém sugeriu que Nathanson poderia encarregar-se da sua direção e funcionamento. Ocorria o parodoxo incrível de que, enquanto esteve diante daquela clínica, naquele lugar havia um setor de obstetricia: isto é, se atendiam partos normais ao mesmo tempo que se praticava abortos.
Por outro lado, Nathanson realizava uma intensa atividade, dando conferências, celebrando encontros com políticos e governantes, pressionando-lhes para que fosse ampliada a lei do aborto.
"Estava muito ocupado. Quase não via a minha família. Tinha um filho de poucos anos e uma mulher, mas quase nunca estava em casa. Lamento amargamente estes anos, por mais que seja só por ter fracassado em ver meu filho crescer. Também era um segregado na profissão médica. Era conhecido como o rei do aborto", afirmou.
Durante este período, Nathanson realizou mais de 60.000 abortos, mas no fim do ano de 1972, esgotado, demitiu do seu cargo na clínica.
"Abortei os filhos não nascidos dos meus amigos, colegas, conhecidos e inclusive professores. Cheguei ainda a abortar meu próprio filho", chorou amargamente o médico, que explicou que por volta da metade da década de 60 engravidou a uma mulher que gostava muito dele (...) Ela queria seguir adiante com a gravidez mas ele se negou. Já que eu era um dos especialistas no tema, eu mesmo realizaria o aborto, expliquei. E assim procedi.", precisou.
Entretanto a partir deste acontecimento as coisas começaram a mudar. Deixou a clínica abortista e passou a ser chefe de obstetrícia do Hospital St. Luke's. A nova tecnologia, o ultrasom, começava a aparecer no ambiente médico. No dia em que Nathanson pôde observar o coração do feto nos monitores eletrônicos, começou a perguntar-se "quê estamos fazendo verdadeiramente na clínica".
Decidiu reconhecer o seu erro. Na revista médica The New England Journal of Medicine, escreveu um artigo sobre sua experiência com os ultrasonografias, recohecendo que no feto existia vida humana. Incluia declarações como a seguinte: "o aborto deve ser visto como a interrupção de um processo que de outro modo teria produzido um cidadão no mundo. Negar esta realidade é o tipo mais grosseiro de evasão moral".
Aquele artigo provocou uma forte reação. Nathanson e sua família receberam inclusive ameaças de morte, porém a evidência de que não podia continuar praticando abortos se impôs. Tinha chegado à conclusão que não havia nenhuma razão para abortar: o aborto é um crime.
Pouco tempo depois, uma nova experiência com as ultrasonografias serviu de material para um documentario que encheu de admiração e horror ao mundo. Era titulado "O grito silencioso", e sucedeu em 1984 quando Nathanson pediu a um amigo seu - que praticava entre 15 a 20 abortos por dia- que colocasse um aparelho de ultrasom sobre a mãe, gravando a intervenção.
"Assim o fez -explica Nathanson- e, quando viu a gravação comigo, ficou tão afetado que nunca mais voltou a realizar um aborto. As gravações eram assombrosas, por mais que não eram de boa qualidade. Selecionei a melhor e comecei a projetá-la nos meus encontros pró-vida por todo o país

 
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